Quase todos os dias somos informados que Portugal tem 11% de desempregados. Não concordamos porque existem muitos portugueses que, não recebendo o subsídio de desemprego, não fazem parte das estatísticas. Estes portugueses são aqueles empresários (individuais ou não) que, devido a várias vicissitudes e a uma crise que nos consome, tiveram que fechar portas, acabar com o negócio, e que não são subsidiados. Não recebem subsídios e nem tinham direito a subsídio de doença quando eram obrigados a ficar de baixa.
Era ainda empresário em nome individual quando dei uma queda em serviço. Sem direito a baixa, foi o seguro de acidentes pessoais que me safou. E descontava eu para a Segurança Social...
Um dia destes, numa superfície comercial, encontrei uma jovem, licenciada, com uma filha de 3 anos, e que em 7 anos apenas deu 26 dias de aulas. Hoje, é promotora de uma marca de café. O marido, também licenciado, sofre do mesmo problema ou seja de falta de trabalho compatível com o curso que tem. É assim: vivemos num país que não valoriza nem a experiência nem o saber.
Em Portugal todo aquele que investe e arrisca o seu dinheiro é tratado com desconfiança pelo estado.
Para os "políticos" que temos, gestores são os carreiristas que têm ordenados chorudos nas empresas do regime e malbaratam o património colectivo...
O produto do saque às empresas que desgovernam, metem-no em contas lá fora... Porque quando o tentam investir depressa vão à falência...
Entretanto, foi criado no Facebook, um grupo denominado SUBSÍDIO PARA OS EMPRESÁRIOS QUE TIVERAM QUE FECHAR A LOJA que tem recebido muitas adesões e alguns comentários. Um deles diz que "este grupo é de uma enorme oportunidade e actualidade, e congratulo-me por ele existir. Espero que mais gente adira, e que se possa, num futuro mais ou menos aceitável, fazer algo por estes empresários que foram forçados a fechar portas. Sei de um caso em que a empresa, que até dava lucro, teve de ser encerrada porque os clientes não pagaram mais de 150 mil euros em trabalhos adjudicados, realizados e já entregues, tendo o empresário em questão ficado a braços com as dívidas e ainda com a incompreensão das instâncias que deveriam zelar pelos seus interesses, em nome da economia nacional. Obrigada pela criação deste grupo, que certamente dará voz a muita desta gente!" Outro adianta que está a sair duma situação dessas e "estou para ver o que se segue......depois de 17 anos de descontos, 9 dos quais por conta própria." Numa altura em que se fazem promessas e mais promessas, contas e mais contas, seria importante que os partidos políticos pensassem nestes portugueses que não recebem qualquer apoio quando descontaram anos e anos para Segurança Social. E que hoje se apercebem que o seu dinheiro (o tal que descontaram) é usado para pagar a muitos que nunca trabalharam na vida e hoje são premiados por isso mesmo.
ANTÓNIO VERÍSSIMO
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